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Varejistas: Braços financeiros são destaques negativos e tendência não muda no curto prazo

Mercado Financeiro 8 meses atrás
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Varejistas: Braços financeiros são destaques negativos e tendência não muda no curto prazo

O quarto trimestre de 2022 das varejistas, sejam elas de consumo cíclico ou não cíclico, foi marcado por uma constante: quase todas viram seus braços financeiros tendo um desempenho ruim, que pesou nos balanços. Agora, na iminência do início de uma nova temporada de resultados, analistas afirmam que não veem a tendência mudando muito.

Magazine Luiza (MGLU3), Via (VIIA3) e Lojas Renner (LREN3) são algumas das empresas que sentiram em seus resultados o impacto negativo das suas frentes de crédito. A constante tem um motivo claro: a combinação entre inflação, que nos últimos anos impactou o poder de compra da população, e, agora, os juros muito altos.

O Luizacred, do Magalu, por exemplo, fechou dezembro com 10,2% da sua carteira com atrasos há mais de 90 dias. O número cresceu 4,6 pontos percentuais na comparação ano a ano. Na Via, uma das empresas com mais conhecimento no fornecimento de crédito aos clientes, por conta do histórico da Casas Bahia nos carnês, a taxa de inadimplência acima de 90 dias chegou a 9,5%.

“Os resultados das varejistas foram impactados pelo juros subindo. Mesmo para as pequenas do setor, compensa às vezes ter uma operação de financiamento, para o cliente aumentar seu consumo, pela fidelização. Mas a gestão não é algo tão simples”, explica Danielle Lopes, sócia e analista de ações da Nord Research.

Ela explica que os braços financeiros das varejistas, em cenários positivos, ajudam em duas frentes, com o cliente consumindo mais dentro da companhia, por conta do crédito, e também pelos ganhos provindos do financiamento. Quando as coisas mudam, porém, também há também perdas dos dois lados, com menos faturamento e mais provisões para pagadores duvidosos (PDD).

A provisão do Magazine Luiza para créditos de liquidação duvidosa ficou de R$ 588,6 milhões, ante R$ 438,6 milhões no mesmo período de 2021.  A Via, porém, conseguiu diminuir seu PDD para R$ 627 milhões no quarto trimestre de 2022, ante R$ 656 milhões no mesmo intervalo do ano imediatamente anterior. “Entendemos o momento de crescimento da inadimplência no mercado e, consequentemente, ao longo do de 2022 reduzimos exposição ao risco e fomos mais seletivos”, justifica a empresa, que fechou dezembro com uma carteira menor do que no segundo e terceiro trimestre.

Varejistas com mix menores também sofreram

Mesmo em varejistas que têm o mix de preços menor, como no caso das de moda, a oferta de crédito também se tornou um ponto de atenção. A Lojas Renner (LREN3) viu suas perdas na Realize mais do que dobrarem no quarto trimestre na comparação ano a ano, chegando a R$ 305,9 milhões. Na C&A (CEAB3), o braço financeiro, com menos de um ano de existência, fechou 2022 com uma provisão de R$ 30 milhões.

Na Guararapes (GUAR3), dona da Riachuelo, a Midway também foi um ponto baixo do resultado, mesmo tendo, ao longo de 2022, “adotado políticas de crédito mais conservadoras e ajustado o risco na concessão de novos cartões”, nas palavras da companhia. Sua PDD no último quarto trimestre foi de R$ 347,6 milhões, ante R$ 147,2 milhões no mesmo período de 2021. No ano, a despesa de PDD líquida de recuperação de créditos e descontos totalizou R$ 1,2 bilhão, contra R$ 6 bilhões da sua carteira total.

“Estávamos vendo um movimento de muitos varejistas quererem virar banco ou abrir uma financeira dentro do negócio. A dificuldade, porém, existe. Você dá um cartão de crédito ao seu consumidor, você onera sua folha. Precisa de time, backoffice, de uma operação. Tem problemas nos pagamentos, há a necessidade de fazer controle de balanço. É preciso fazer provisões”, debate a analista da Nord. “Existem mais malefícios do que benefícios. Se você não tem liquidez suficiente, o banco não se paga e é um grande queimador de caixa”.

Talvez o exemplo mais expressivo das dificuldades de se abrir uma financeira foi o caso da Lojas Marisa (AMAR3). A companhia teve de anunciar uma capitalização de R$ 90 milhões provinda de seus controladores e toda uma reestruturação em decorrência, principalmente, do mau desempenho do MBank e da falta de liquidez.

O braço financeiro da companhia registrou um prejuízo operacional de R$ 199,9 milhões ao longo de 2022, sendo R$ 47,2 milhões deficitários apenas no quarto trimestre. A Marisa chegou a vender parte de sua carteira e teve de reclassificar algumas despesas.

“O Mbank sofreu muito com a inadimplência do mercado. A venda de carteira totalizou R$ 57,7 milhões e as provisões, R$ 12,5 milhões. Sem isso, o prejuízo proforma seria R$ 100 milhões menor”, comentou Roberta Lea, diretora financeira (CFO) da Marisa. ”Mas o MBank e não é o único que vem sofrendo, e sim o mercado como um todo. Ele provavelmente já sentiu todos os impactos”.

De acordo com os diretores, o prejuízo foi maior porque a crise se deu em um momento em que a Marisa ainda estava estruturando sua operação de crédito.

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Durante os períodos de juros mais baixos, em meio à pandemia da Covid-19, várias varejistas lançaram empreitadas mais ousadas na oferta de serviços financeiros – e agora estão voltando atrás.

Voltando atrás?

“Taxa de aprovação do nosso empréstimo pessoal já caiu um terço e a emissão dos cartões na loja, 50%. Tudo isso faz parte de um plano para, até 2025, recuperar os índices básicos de carteira”, mencionou Alberto Kohn, diretor comercial e de operações da Marisa. “A política de crédito mais efetiva e a redução de lojas explica a queda na carteira de crédito. Queremos um mix mais saudável e um cliente mais fidelizado”.

Ainda segundo Kohn, o esperado pela Marisa é que a carteira de crédito trará, a partir de agora, apenas melhorias. Os novos riscos contratados já estariam em patamares saudáveis e a empresa vem trabalhando ativamente com estratégia de cobrança. “Em 2023, ainda prevemos resultado negativo, mas melhor do que em 2022. A partir de 2024, entramos em uma dinâmica de ter lucro recorrente na operação”, explicou.

De forma geral, as varejistas ainda esperam que seus braços financeiros tragam resultados não muito positivos no curto prazo.

“Teremos o primeiro semestre ainda pressionado em nível de inadimplência, ainda similar ao do quarto trimestre, mas seguimos confiantes de sua recuperação a partir segundo semestre de 2023”, disse Daniel Martins, diretor financeiro (CFO) da Renner, na teleconferência de resultados da companhia.

Danielle Lopes, da Nord, também corrobora que as projeções, por enquanto, não trazem uma previsão de mar calmo.

“Cenário deve ficar como está. Juros devem ficar parados por alguns meses nos patamares atuais e ainda não está muito claro se o Banco Central, comandado por Roberto Campos Neto [presidente] irá abaixá-los. Mas o pior provavelmente já está acabando. Ainda assim, algumas empresas devem continuar com problemas para se capitalizarem”, debate.

Fernando Siqueira, Head de Research da Guide Investimentos, expõe que no segmento de educação algumas companhias já optaram por encerrar os trabalhos em seus braços financeiros.

“O que deve acontecer, provavelmente, é o que aconteceu com o setor de educação. Ou ao menos uma desaceleração. Na minha visão, no curto prazo, esse tipo de canal mais atrapalha do que ajuda. Mas, no longo, a média traz resultados positivos”, afirma.

 

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