Tesouro Direto: juros aprofundam queda, com prefixados a 11,61%; mercado foca regra fiscal

Tesouro Direto: juros aprofundam queda, com prefixados a 11,61%; mercado foca regra fiscal
Tesouro Direto: juros aprofundam queda, com prefixados a 11,61%; mercado foca regra fiscal

As atenções do mercado, nesta quinta-feira (13), se dividem entre o novo arcabouço fiscal e notícias internacionais. O presidente da Câmara, Arthur Lira, em entrevista à Globonews, disse que o prazo de dias 15 dias é a partir da data de chegada ao Congresso do projeto em substituição ao teto de gastos.

No exterior, o núcleo do Índice de Preços ao Produtor (PPI) em março, recuou 0,1%, abaixo da expectativa de alta de 0,3%. A leitura de fevereiro mostrou que o PPI subiu 0,2% em relação a janeiro (revisado de 0,0%). Na base anual, o núcleo do PPI subiu 3,4%, em linha com a expectativa e uma desaceleração em relação aos 4,8% aferidos nos doze meses encerrados em fevereiro (revisados de mais 4,4%).

O dia se mostra turbulento para os investidores do Tesouro Direto. Um pouco depois da abertura, as negociações dos títulos públicos foram interrompidas por aproximadamente 30 minutos, em função da forte volatilidade nos preços e nas taxas.

Às 15h25, os juros dos títulos públicos apresentavam queda, movimento visto na volta das negociações, por volta das 11 horas, após terem iniciado a manhã com ligeira alta, na atualização das 9h21.

O Tesouro Prefixado 2029 oferecia retorno de 12,11%, bem abaixo dos 12,30% de quarta-feira (12), com uma diferença de 19 pontos-base (0,19 ponto percentual). O Tesouro Prefixado 2033 tinha taxa de 12,24%, menor do que os 12,43% da véspera, diferença de 19 pontos-base (0,19 ponto percentual). Já o piso desses ativos, o Prefixado 2026, tinha juros de 11,61%, também menores do que os 11,69% de ontem.

Entre os ativos atrelados à inflação, o Tesouro IPCA+ 2045 oferecia retorno de 6,15%, menor do que os 6,22% da véspera.

Confira os preços e as taxas dos títulos públicos disponíveis para a compra no Tesouro Direto na tarde desta quinta-feira (13): 

Fonte: Tesouro Direto

 

LDO

O governo entrega na sexta-feira (14) ao Congresso Nacional o projeto de Lei das Diretrizes Orçamentárias (LDO), que estabelece metas e prioridades do governo federal para 2024. O texto segue as regras estabelecidas pelo teto de gastos em vigor, mas deve trazer projeções sobre o impacto do novo arcabouço fiscal nas contas públicas. O prazo constitucional para entrega da LDO termina no sábado (15).

Arcabouço fiscal

O novo arcabouço fiscal, uma das prioridades do mercado, deve exigir compensação de medidas que criem renúncias e aumentam despesas. A proposta deve reforçar a necessidade de compensação já prevista na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).

A Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) é que deverá dispor no ano de vigência sobre os critérios de renúncia de receita para efeito de sustentabilidade da nova regra fiscal. O secretário do Tesouro, Rogério Ceron, já havia acenado de que qualquer renúncia fiscal deveria ser acompanhada de medida compensatória, como já prevista na LRF. As informações são da agência Broadcast/Estadão.

O secretário executivo do ministério da Fazenda, Gabriel Galípolo, afirmou nesta quinta-feira, 13, que, após apresentação dos parâmetros gerais do novo arcabouço fiscal, o governo federal deve oficializar a apresentação de medidas que visam o aumento das receitas, que deverão gerar novas projeções da Receita Federal para a arrecadação dos próximos anos.

“O desenho geral do arcabouço vai ser apresentado como lei complementar, já os parâmetros para que o arcabouço funcione vão ser enviados por meio de lei ordinária, para que possa haver discussão com a sociedade”, explicou Galípolo em entrevista ao canal Globonews. “Nesses parâmetros estarão contempladas as projeções da Receita que envolvem essas medidas de aumento de arrecadação, para que a gente possa estar dentro do que prevê o novo arcabouço”, acrescentou.

Entre as medidas discutidas pela Fazenda para aumento da arrecadação, e que foram mencionadas durante a entrevista de Galípolo, estão a tributação de itens importados vendidos no País por e-commerces e a tributação de casas de apostas. “A decisão sobre o que deve ser feito a respeito do tamanho do Estado é uma decisão da sociedade, e com a apresentação por meio de lei ordinária pode haver essa discussão”, reforçou.

Haddad sobre Selic

Durante visita a China, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, se manifestou sobre a taxa Selic. “A taxa de juros inviabiliza muitos investimentos”, disse Fernando Haddad. “Agora, quero crer que o Banco Central tem uma janela de oportunidade, que espero que seja aproveitada para que o Brasil possa pensar no crescimento econômico sustentável. Tudo está convergindo do que chamo de harmonizar o fiscal com o monetário”, comentou ainda o ministro, ressaltando sinais na economia que flui para a redução dos juros, como a queda inflação, o real mais valorizado e a curva de juros futuro caindo.

Mont Capital - Carteira Administrada

Lula na China

Na posse de Dilma Rousseff como presidente do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB na sigla em inglês), em Xangai, na China, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não poupou críticas ao modelo tradicional de financiamento de instituições financeiras internacionais. O NDB, também conhecido como Banco do Brics (bloco econômico composto por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), não tem a participação do Fundo Monetário Internacional (FMI) ou instituições financeiras de países de fora do grupo.

“Pela primeira vez um banco de desenvolvimento de alcance global é estabelecido sem a participação de países desenvolvidos em sua fase inicial. Livre, portanto, das amarras e condicionalidades impostas pelas instituições tradicionais às economias emergentes. E mais, com a possibilidade de financiamento de projetos em moeda local”.

Salário mínimo

O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, disse que encaminhará até maio ao Legislativo a proposta que estabelece em R$ 1.320 o novo salário-mínimo. Segundo ele, o governo encaminhará também a nova política de valorização permanente do salário-mínimo. De acordo com o ministro, os parâmetros dessa política estão sendo estudados pelo governo em um grupo que conta com a participação das centrais sindicais.

A expectativa é de que a proposta seja apresentada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva quando ele retornar da viagem que faz à China. As afirmações foram feitas ontem na Comissão de Trabalho da Câmara dos Deputados. Segundo Marinho, a política de valorização do salário-mínimo dos primeiros governos Lula e do governo Dilma Rousseff impactou positivamente na distribuição de renda, sem elevar a inflação, o desemprego e a informalidade. (Agência Brasil)

PPI/ EUA

O Índice de Preços ao Produtor (PPI, na sigla em inglês) dos Estados Unidos caiu 0,5% em março em dados dessazonalizados, ante queda de 0,1% em fevereiro, divulgou nesta quinta-feira (13) o Departamento do Trabalho americano. Em uma base não ajustada, o índice de demanda final aumentou 2,7% nos 12 meses encerrados em março de 2023.

O consenso Refinitiv apontava para estabilidade no mês e alta de 3,0% no ano.

O índice básico de preços – que exclui as variações de preços de categorias mais voláteis como alimentos, energia e margens de fornecedores – subiu 0,1% em fevereiro em relação ao mês anterior e 3,6% em 12 meses.

Auxílio-desemprego EUA

Os pedidos iniciais de seguro-desemprego nos Estados Unidos subiram 11 mil semana encerrada em 8 de abril, para 239 mil, de um número não revisado de 228 mil na semana anterior, informou hoje o Departamento do Trabalho. O consenso Refinitiv esperava um número menor, de 232 mil pedidos na semana.

A média móvel trimestral dos pedidos iniciais foi de 240 mil na semana, o que representou uma alta de 2.250 ante a média anterior. Essa é a média mais alta desde a semana de 20 de novembro de 2021, quando o número chegou a 249.250.

A taxa de desemprego segurado ajustada sazonalmente foi de 1,2% na semana encerrada em 1° de abril, uma queda de 0,1 ponto porcentual em relação à taxa não revisada da semana anterior.

Desemprego OCDE

A taxa de desemprego dos países que integram a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) ficou em 4,8% em fevereiro, mantendo-se pelo segundo mês consecutivo no menor nível da série histórica iniciada em 2001, de acordo com relatório da OCDE publicado nesta quinta-feira (13).

No segundo mês do ano, o índice de desemprego caiu ou se manteve estável em mais de 70% dos integrantes da OCDE, mas ficou próximo da mínima histórica em apenas sete países, incluindo Alemanha, França e Canadá, detalha o documento.

Já no quarto trimestre de 2012, as taxas de emprego e de participação no mercado de trabalho da OCDE atingiram novas máximas históricas, de 69,6% e 73,3%, respectivamente.

BCE

Martins Kazaks, integrante do conselho do Banco Central Europeu (BCE), afirmou hoje, em entrevista à rede CNBC, que a zona do euro “tem conseguido evitar uma recessão”, mas sua economia “não está fora de perigo”, com um “risco de recessão que não é trivial”. Mesmo assim, ele defendeu mais altas nos juros, diante de uma inflação “ainda elevada”. Kazaks diz que ainda “há risco de alguma instabilidade financeira”, mas considera que “por enquanto, tudo bem na Europa”. O mercado de trabalho, além disso, está “muito mais forte do que o esperado”, e nesse contexto é preciso subir mais os juros para conter a inflação. O dirigente inclusive disse que não descarta inclusive alta de 50 pontos-base, mas também acrescentou que “em algum momento é preciso começar a desacelerar” e mesmo eventualmente fazer uma pausa no aperto. (Estadão Conteúdo)