Não foi na política que Sebastián Piñera construiu sua fama. Muito antes de presidir o Chile por duas vezes, ele já tinha uma bom histórico como empresário. Nessa bagagem, além da experiência nos negócios, ele acumulou uma fortuna estimada em US$ 2,9 bilhões.

Ex-presidente do Chile, Piñera morreu na terça-feira, 6 de fevereiro, aos 74 anos, em Lago Ranco, na região central do país, vítima de um acidente de helicóptero, que estava sendo pilotado por ele.

Segundo a imprensa local, uma equipe de socorristas encontrou o helicóptero submerso nas águas do lago. Piñera estava voltando de um almoço na casa do empresário José Cox, acompanhado de outras três pessoas, que foram resgatadas com vida.

Piñera presidiu o Chile em duas oportunidades. A primeira, entre 2010 e 2014, quando sua eleição pôs fim a um longo período de governos de esquerda no país, iniciado após a queda do ditador Augusto Pinochet, em 1988.

Já em seu segundo mandato, de 2018 a 2022, ele enfrentou uma onda de protestos, que teve início em 2019, contra o aumento da passagem de metrô de Santiago. E que, ao se alastrar pelas ruas da capital e do país, foi reprimida com bastante violência pelo governo.

Em outro capítulo desse segundo mandato, Piñera chegou a ser alvo de pedidos de impeachment, ao ter seu nome envolvido na Pandora Papers, série de reportagens sobre paraísos fiscais conduzida pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos.

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O impeachment foi barrado. Mas a sequência desses episódios abalou a popularidade do então presidente, que iniciou sua carreira na política em 1990, quando foi eleito senador. E que concorreu pela primeira vez ao cargo máximo do país em 2005, quando foi derrotado por Michelle Bachelet.

Vida privada

Nascido em 1º de dezembro de 1949, em Santiago, filho de um diplomata, ele se formou em economia na Universidade Católica do Chile, em 1971, e cursou o mestrado e o doutorado em Harvard, além de chegar a lecionar em universidades chilenas.

Após atuar como executivo em bancos como Talca e Citicorp-Chile, Piñera decidiu enveredar pelo empreendedorismo ao fundar, na década de 1970, a Toltén, sua primeira empresa, vendida posteriormente por US$ 2 milhões. Já em 1976, criou o Bancard, companhia de cartões de crédito.

Com a conta bancária reforçada nessas primeiras investidas, ele passou a diversificar seus negócios em diversos tentáculos no Chile. Entre outros ativos, em 2004, ele comprou a rede de TV Chilevisión e, seis anos depois, vendeu boa parte de sua fatia na operação para a Time Warner, por US$ 160 milhões.

Em outro campo, ele também se tornou um dos acionistas do Colo-Colo, um dos times de futebol de maior torcida no Chile. Alémde ampliar suas fronteiras em outro espaço – o aéreo. Piñera foi acionista da LAN, empresa controladora da LanChile, que se fundiu com a brasileira TAM, dando origem à Latam.