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Obra de Oskar Metsavaht, da Osklen, agora faz parte do acervo do hotel Rosewood

Economia 8 meses atrás
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Obra de Oskar Metsavaht, da Osklen, agora faz parte do acervo do hotel Rosewood

Há quase dez anos, diante do convite para o line-up da exposição “Made By… Feito por Brasileiros”, coletiva de 100 artistas realizada no antigo Hospital Matarazzo, em São Paulo, Oskar Metsavaht achou que fosse engano.

Ele se considerava um outsider ao lado de nomes como Nuno Ramos, Tunga, Janaína Tschäpe, Iran do Espírito Santo e Laura Vinci, naquele evento de arte que marcava o lançamento do projeto do complexo que há um ano tornou-se o hotel Rosewood.

“Devo ter sido o último na lista da curadoria”, brinca, em conversa com o NeoFeed, o fundador e atual diretor de criação e estilo da Osklen. Se, depois de tanto tempo, ainda restavam dúvidas sobre o estofo para figurar naquele elenco, elas desmancharam no ar: um conjunto de fotografias de sua autoria acaba de entrar para o acervo permanente do hotel Rosewood, inaugurado há pouco mais de um ano no terreno do velho hospital.

No conceito exclusivo criado pela bandeira para a capital paulista, a arte merece tanto peso quanto a arquitetura (assinada por Jean Nouvel) e o design de interiores (Philippe Starck). Na curadoria de Marc Pottier, há obras site-specific, como o grafite de Speto na entrada, os tapetes de Regina Silveira na recepção, os azulejos de Sandra Cinto na piscina do rooftop e o teto pintado pelo artista visual Cabelo no bar.

Além disso, tanto na Torre Mata Atlântica, do arquiteto francês, quanto na edificação que antes abrigava a maternidade, os andares dedicados às suítes funcionam como galerias. É nesse cenário, no 6º andar da Torre, que está o ensaio de Metsavaht.

A série “Interfaces II Homem/Cosmos/Floresta” resulta de sua participação, a convite de líderes Ashaninka, em um ritual xamânico conduzido em 2014 na aldeia Apiwtxa, no Acre.

Oskar Metsavaht: de outsider a artista residente

“Há bastante tempo toco projetos socioambientais por lá. Já construímos um centro cultural, duas escolas, estruturamos formas de promover o artesanato… E eles haviam me pedido um novo grafismo para suas pinturas corporais”, conta.

Não para substituir as que já existiam, ressalta, “mas para se somar a elas. Tive muitas dúvidas, depois pensei, por que não? Isso é design. O ritual ganhou esse sentido para mim.”

“Eu estava muito consciente do que queria fazer depois de tomar a ayahuasca, que nada mais é do que uma experiência psicodélica para ativar o sistema nervoso central”, diz ele, médico de formação. “Então, eu me permiti entrar naquele universo. Usei filme 16 mm e minha câmera digital.”

O material deu origem a uma publicação impressa, uma videoinstalação (apresentada em 2015 na Ocupação Mauá, no Rio de Janeiro) e a fotos e painéis inéditos que agora pertencem ao acervo do Rosewood.

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Durante o ritual, Oskar criou, a pedido dos líderes da aldeia, um novo grafismo para pintura corporal

A propósito, a série anterior, Interfaces Homem/Arte/Natureza, desenvolvida numa residência no Instituto Inhotim, em Brumadinho, MG.

Foi a performance que inseriu Oskar Metsavaht no circuito das artes e se tornou a semente da instalação executada na “Made By… Feito por Brasileiros”. Como no desenho elaborado pelo estilista-artista para os Ashaninka, um ciclo se fecha.

Visita guiada

O acesso à galeria no 6º andar da torre se restringe aos hóspedes e a quem participa da art tour, visita guiada de 1h30 pelo complexo com foco nas obras de arte (o ticket custa R$ 2 mil). Isso mesmo, você leu certo, R$ 2 mil. E o hóspede, acredite, paga a meia entrada de R$ 1mil.

“Esse passeio é um sucesso, está sempre cheio”, fala Edouard Grosmangin, diretor-geral do estabelecimento. Ele ressalta que 85% dos clientes do Rosewood não estão hospedados, o que comprova sua vocação como alternativa de passeio na capital paulista.

Para aqueles que estão apenas de passagem por um dos restaurantes do lugar, é possível ver alguns trabalhos de Metsavaht no corredor junto à loja, localizada no lobby. Ali, a mostra pocket temporária “Amazônia – Oskar Metsavaht” traz, entre mais fotografias de adornos usados por povos indígenas, itens de coleções da Osklen feitos com materiais como látex, juta e pele de pirarucu proveniente de pesca de manejo realizada por populações ribeirinhas.

No térreo do hotel, foto da mostra pocket Amazônia – Oskar Metsavaht, voltada às ações da Osklen

“Originalmente, os expositores de vidro desse corredor iriam receber produtos de grifes como Chanel, Louis Vuitton e Christian Dior. Repensamos isso e decidimos dedicar o espaço a marcas brasileiras”, afirma Grosmangin. Metsavaht é o segundo a ocupá-lo, depois da joalheira Francisca Botelho.

“Aqui, mostro o resultado das melhores práticas que desenvolvemos nos últimos 25 anos”, fala o estilista. O mesmo tema permeou suas duas falas no evento Brasil 200, promovido pela Câmara de Comércio Brasil-Noruega em Oslo, em novembro de 2022. Durante a conferência, que girou em torno de sustentabilidade, ciência, inovação e arte, ele também apresentou uma instalação imersiva.

Essa atuação lhe rendeu, em 2011, o título de embaixador da boa vontade da UNESCO – título concedido a personalidades que ajudam a dar visibilidade a questões mundialmente relevantes. Só pela Osklen, por meio do trabalho com as cadeias produtivas, Metsavaht ajuda a proteger mais de 8 milhões de hectares de terras indígenas e unidades de conservação. E contando.

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