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O que Lula traz na bagagem de volta da viagem à China? Spoiler: não são joias

Economia 8 meses atrás
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O que Lula traz na bagagem de volta da viagem à China? Spoiler: não são joias
Lula e Xi Jinping/2023
Lula reuniu-se nesta sexta-feira com presidente chinês Xi Jinping visando trazer na viagem de volta ao Brasil muito além de acordos comerciais e parcerias estratégicas (Foto: Ricardo Stuckert)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva retorna neste domingo (16) ao Brasil vindo da China, com parada nos Emirados Árabes Unidos durante a viagem de volta. Nesta sexta-feira (14), ele reuniu-se com o líder chinês, Xi Jinping, em Pequim.

Lula e a primeira-dama Janja Lula da Silva foram recebidos em cerimônia a céu aberto no complexo da Praça da Paz Celestial. Inicialmente, Lula e Xi tiveram um encontro ampliado, seguido de uma conversa privada, a portas fechadas. Após um jantar oficial, aconteceu a assinatura de 15 acordos comerciais e de parceria entre os dois países. 

Segundo o próprio presidente, os termos assinados no Grande Palácio do Povo visam avançar em áreas estratégicas, conforme postagem no Twitter:

Bom dia, Brasil! Assinei agora com o presidente Xi Jinping acordos entre nossos países, para avançarmos em áreas como energias renováveis, indústria automotiva; agronegócio, linhas de crédito verde, tecnologia da informação, saúde e infraestrutura. 🇧🇷🤝🇨🇳

📸: @ricardostuckert pic.twitter.com/NQmW9WS2Lh

— Lula (@LulaOficial) April 14, 2023

Bagagem de volta

Fato é que havia muita expectativa em torno dessa viagem. Ainda mais depois que visita oficial ao país asiático precisou ser adiada após Lula contrair pneumonia. Então, ficou para depois dos primeiros 100 dias do início de mandato.

Agora, a pergunta que fica é: afinal, o que o governo brasileiro traz na bagagem de volta da viagem? “A resposta não se resume apenas aos acordos de cooperação assinados durante a visita de Estado de Lula”, resume a economista-chefe da Ásia-Pacífico do banco Natixis, Alicia Garcia Herrero.

Ela se refere justamente aos protocolos e memorandos firmados em várias áreas. Segundo Alicia, os termos se referem a parcerias para desenvolvimento de tecnologias, intercâmbio de conteúdos de comunicação e ampliação das relações comerciais. “Os objetivos são claros: antes de mais nada, trazer oportunidades de crescimento para o Brasil”, emenda.

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A economista lembra que as exportações brasileiras de commodities para a China aumentaram desde 2008, com o país asiático tornando-se o principal parceiro comercial do Brasil há 13 anos consecutivos. Além disso, o país é um dos maiores destinos dos investimentos estrangeiro diretos chineses, especialmente no setor de energia

Brasil além de negócio da China

No entanto, crescimento e desenvolvimento não são os únicos objetivos da visita de Lula a Pequim. “Como presidente do Brasil pela segunda vez, Lula quer fazer a diferença e trazer seu país para o cenário global das potências médias”, completa a economista do Natixis.

É por isso que o presidente brasileiro também tratou com o líder chinês Xi Jinping de questões globais. “Os dois homens discutiram a guerra na Ucrânia, com Lula acreditando que pode ajudar a negociar a paz”, disse a analista sênior da Eurasia Gabrielle Dembinski, na newsletter da consultoria norte-americana GZero

Porém, ela observa que o Brasil está navegando nas tensões crescentes entre Estados Unidos e China. Vale lembrar que Lula se reuniu com o presidente dos EUA, Joe Biden, em fevereiro, onde buscou reforçar as relações democráticas entre os dois países.

Gabrielle lembra que o encontro serviu para firmar o relacionamento brasileiro com o mais importante parceiro de segurança regional. “Enquanto isso, a China espera que, ao fortalecer seu relacionamento com o Brasil, possa aumentar sua influência na América Latina e enfraquecer os laços do Brasil com os EUA”, ressalta.

Já a economista do Natixis avalia que Lula provavelmente sente que apenas a China pode oferecer resultados rápidos no contexto da cooperação Sul-Sul. Porém, ela ressalta que ainda não se sabe o quanto Lula está disposto a trocar a autonomia estratégica do Brasil por uma aliança mais estreita com a China.

“Por mais que Lula esteja claramente inclinado para a China em detrimento das relações Brasil-EUA, ele ainda acredita que o Brasil deve lutar por um mundo multipolar no qual potências médias como seu país tenham voz”, conclui Alicia.

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