JPMorgan, Citi e Wells Fargo estreiam temporada de balanços nos EUA e dão resposta à crise bancária

JPMorgan, Citi e Wells Fargo estreiam temporada de balanços nos EUA e dão resposta à crise bancária
JPMorgan, Citi e Wells Fargo estreiam temporada de balanços nos EUA e dão resposta à crise bancária
JPMorgan Citigroup
JP Morgan, Citi e Wells Fargo dão o pontapé inicial da temporada de balanços nos EUA  (Imagem: REUTERS/Andrew Kelly)

A temporada de balanços do primeiro trimestre de 2023 começou oficialmente nos Estados Unidos. Como praxe, o calendário é aberto pelas instituições financeiras e, nesta sexta-feira (14), já foram divulgados os números corporativos de  Citigroup (C), Wells Fargo (WFC) e JPMorgan & Chase (JPM).

Havia muita expectativa para compreender como os grandes bancos de Wall Street seriam capazes de capitalizar sobre a crise de confiança que abateu os credores de médio porte nos EUA durante o mês de março.

De acordo com dados divulgados no final de março pelo Fed, a corrida bancária que tirou US$ 120 bilhões dos bancos de médio porte nos EUA — e que acendem o alerta para cerca de 190 credores em todo o território americano — foi contraposta por um fluxo de depósitos de US$ 67 bilhões para as maiores instituições financeiras do país.

Mas esse não é o único fator a ser observado nos números corporativos lançados no pre market de Nova York. Para William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, o investidor precisa estar  atento a dois aspectos. De um lado mais positivo, os bancões estão bem posicionados para lucrar mais com o aumento da receita de juros.

Do outro lado,  o investidor precisa estar atento ao aumento das provisões para devedores duvidosos, que podem dar a cor e o tom da recessão que se aproxima na maior economia do mundo.

Nesse sentido, Castro Alves destaca que os perfis dos grandes bancos diferem entre si, fazendo, consequentemente, com que cada um deles esteja mais ou menos exposto ao risco de insolvência dos clientes institucionais e do varejo.

“O Goldman Sachs, que tem uma parcela relevante da operação como banco de investimento, tende a sofrer mais está do que, por exemplo, bancos múltiplos, como é o caso do Bank of America, ou JPMorgan, é ou mesmo Citi“.

O que você precisa saber dos resultados

JP Morgan & Chase (JPM)

  • Repercussão no mercado: muito positiva; resultados acima da expectativa. Em Nova York, as ações do banco disparam 7,5%. 

Lucro sobe 52% na base anual, com ‘enxurrada’ de depósitos: o JP Morgan registrou impressionantes US$ 12,62 bilhões de lucro no primeiro trimestre do ano, um crescimento de 52% com relação ao número reportado no primeiro tri de 2022.

Contribuiu para a marca o aumento de depósitos em US$ 37 bilhões na comparação trimestral. Sinal de que o banco serviu mesmo como um ‘porto seguro’ para pessoas e empresas que queriam movimentar seus recursos em meio à crise bancária.

Juros altos impulsiona produtos de empréstimo e receita geral atinge recorde: a receita geral do banco saltou 25%, para US$ 38,3 bilhões, número recorde para o credor.

Por trás da marca, está o aumento da receita da unidade de banco comunitário e de empréstimo ao consumidor, que saltou 80% devido às taxas de juros mais altas. A receita líquida de juros, a diferença entre o que o banco paga em depósitos e ganhos com empréstimos, aumentou 49%, para US$ 20,71 bilhões, um segundo recorde trimestral consecutivo.

A provisão com devedores duvidosos subiu em US$ 1,1 bilhão no trimestre.

Citigroup (C)

  • Repercussão no mercado: positiva; resultados acima da expectativa. Em Nova York, as ações do banco sobem 4%. 

Citi tem aumento de 7% no lucro anual; mas depósitos caem: O lucro líquido do Citigroup avançou 7% no primeiro trimestre do ano, para US$ 4,6 bilhões, ou US$ 2,19 por ação, ante US$ 4,3 bilhões, ou US$ 2,02 no ano anterior.

O Citi, no entanto, não teve a mesma sorte que o JP Morgan. Os depósitos no banco caíram US$ 35,5 bilhões em relação a dezembro, para US$ 1,33 trilhão.

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Receita sobe 12%, com juros mais altos oferecendo maior retorno: a receita aumentou 12%, para US$ 21,45 bilhões, acima do consenso US$ 20,02 bilhões.

O banco continuou a usufruir de taxas de juros mais elevadas que lhe permitem cobrar mais pelos empréstimos. A receita líquida de juros, o que ela ganha com empréstimos menos o que paga por depósitos, aumentou 23%, para US$ 13,35 bilhões.

Wells Fargo (WFC)

  • Repercussão no mercado: fraca; resultado acima da expectativa. Em Nova York, as ações do banco caem 0,25%.

Lucro avança 32%: o Wells Fargo & Co subiu no primeiro trimestre de 2023 na comparação anual, para US$ 4,99 bilhões, puxado por maior receita com a cobrança de juros sobre produtos de empréstimo.

Salto de 45% da receita em meio à aperto monetário: o Wells Fargo registrou um crescimento de 45% na base anual da receita líquida de juros, para US$ 13,34 bilhões. Assim como ocorreu com o Citi, os depósitos caíram para US$ 1,356 bilhão, anotando uma queda de 2% em relação ao final do ano e 7% em relação ao primeiro trimestre de 2022.

Aumento da provisão: O banco reservou US$ 1,21 bilhão no trimestre para cobrir possíveis perdas com inadimplência, em comparação com um valor de US$ 787 milhões no ano anterior.

Earnings Recession’: o que esperar do resto da temporada

É esperado que setor financeiro dos Estados Unidos seja o destaque negativo do primeiro trimestre de 2023.

Segundo o estrategista-chefe da Avenue, o setor dos credores americanos deverá ver um encolhimento de 10% do lucro, em meio à desvalorização do balanço de ativos dos bancos e maior fluxo de saques — duas das consequências mais negativas da alta dos juros na economia.

O recuo seria maior do que os 6.8% esperados para o todo das empresas listadas no S&P. No trimestre anterior, a desaceleração foi de 4.6%.

Com dois trimestres consecutivos de queda dos lucros, mais empresas devem ser empurradas para um ambiente de recessão.

Apesar dos números recentes que indicam uma desaceleração da inflação, a possibilidade de juros mais altos por mais tempos ainda devem continuar pressionando as margens das companhias de todos os setores, sobretudo, daquelas mais expostas ao movimento cíclico da economia.

Nesse sentido, analistas não esperam que  a próximas temporadas traga melhores notícias do que essa. Em levantamento do FactSet, as expectativas para o segundo trimestre de 2023 são de uma nova queda de 4.6% em relação ao mesmo trimestre de 2022.

Um novo aumento no lucro das companhias só deve voltar a ser registrado no terceiro trimestre de 2022.