FTX negocia reembolso com credores e cogita retomar a operação

FTX negocia reembolso com credores e cogita retomar a operação
FTX negocia reembolso com credores e cogita retomar a operação

A FTX parece acreditar em vida após a morte. Ou melhor, após a quebra. Em depoimento realizado em corte judicial na quarta-feira, 12 de abril, Andy Dietderich, o advogado da FTX, afirmou que a companhia está em processo de negociação com antigos clientes para uma possível retomada da operação da exchange.

De acordo com o que foi dito na audiência ao juiz de falências John T. Dorsey, a FTX considera utilizar o dinheiro que reuniu para reembolsar os clientes afetados pelo colapso da empresa, algo em torno de US$ 7,3 bilhões, para retomar sua operação. Mas isso só poderia ser feito se houvesse autorização dos credores.

A expectativa é a de que uma decisão sobre o destino do dinheiro que está retido judicialmente seja tomada até o fim de junho. Enquanto isso, a FTX segue em fase de estudos para saber se uma recuperação é viável. “A situação se estabilizou e o incêndio acabou”, disse Dietderich, conforme reportado pela Reuters.

Para reunir o capital necessário, a FTX se beneficiou de um aumento no preço das criptomoedas. Desde o começo do ano, o valor do bitcoin subiu mais de 82%, para US$ 30,2 mil.

Com a possibilidade de uma volta da operação da FTX, o token da exchange (FTT) disparou de valor na última semana, subindo mais de 70%. Na sexta-feira, 14 de abril, cada token era negociado por cerca de US$ 2. No auge, em 2021, o ativo virtual chegou a valer US$ 79, de acordo com o CoinMarketCap.

Mont Capital - Carteira Administrada

O problema é que esse aumento pode ser ilusório. “Se a FTX não retomar sua operação, há pouco uso para o token e ele volta a não valer nada”, disse Cory Mitchell, analista do site educacional Trading.biz, à Fast Company. “Por outro lado, caso a FTX volte a operar, o propósito do token renasce e o valor pode subir.”

Essa não é a primeira vez que a diretoria da FTX flerta com uma possível volta da operação. Em janeiro, John J. Ray III, CEO do negócio após a saída de Sam Bankman-Fried do cargo, já havia levantado a possibilidade de que a exchange pudesse reabrir, mas sem uma data para isso acontecer.

Se não conseguir converter as participações de credores em acionárias para uma reinicialização do negócio, a FTX terá uma missão mais complicada. Seria preciso, então, levantar uma grande quantidade de capital novamente. Com o último escândalo, classificado por promotores federais dos EUA como “uma das maiores fraudes da história americana”, ganhar a confiança de investidores será mais difícil.