Dólar recua pelo terceiro dia sob influência do exterior, mas não se sustenta abaixo de R$ 4,90

Dólar recua pelo terceiro dia sob influência do exterior, mas não se sustenta abaixo de R$ 4,90
Dólar recua pelo terceiro dia sob influência do exterior, mas não se sustenta abaixo de R$ 4,90
Dólar
Dólar fechou em queda, novamente abaixo dos R$ 4,95. Entretanto, sem fôlego para se manter abaixo dos R$ 4,90 após romper marca (Imagem: Pixabay/PublicDomainPictures)

O dólar à vista emplacou nesta quinta-feira a terceira sessão consecutiva de baixa, após ajustes, influenciado pela busca global de ativos de maior risco, como o real, e pela percepção de que o Brasil segue atrativo para investimentos em função do diferencial de juros.

A moeda norte-americana recuou durante todo o dia, acompanhando o exterior, onde o dólar também cedia ante divisas como o peso mexicano, o peso chileno e o dólar canadense, após a divulgação de dados fracos de inflação nos Estados Unidos e de números fortes de exportação na China.

Com isso, a divisa fechou o dia cotado a R$ 4,92 para venda, em baixa de 0,27%. Este é o menor valor de fechamento para a moeda americana desde 9 de junho de 2022. Nas últimas três sessões, o dólar acumulou baixa de 2,73%. Ao longo do pregão, a moeda chegou a beliscar os R$ 4,89, mas sem força para sustentar o nível abaixo dos R$ 4,90.

Dólar cai com mais dados de inflação

Pela manhã, o Departamento do Trabalho dos Estados Unidos informou que o índice de preços ao produtor para demanda final caiu 0,5% no mês passado. Economistas consultados pela Reuters previam que o índice ficaria inalterado no mês.

Já os pedidos iniciais de auxílio-desemprego aumentaram em 11 mil, para 239 mil, em dado com ajuste sazonal, na semana encerrada em 8 de abril. Economistas consultados pela Reuters previam 232 mil pedidos para a última semana.

Os dados fracos no país penalizaram a moeda americana e reforçaram a avaliação de que o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) está próximo de encerrar seu ciclo de alta de juros.

Outros indicadores influenciaram na mínima do dólar

Por outro lado, os dados da China foram favoráveis. O país asiático reportou alta de 14,8% das exportações em março ante o ano anterior, sendo que economistas previam queda de 7%. Já as importações pela China caíram apenas 1,4%, ante previsão de baixa de 5,0%.

“Tivemos indicadores de inflação fracos nos Estados Unidos. Isso acabou desvalorizando o dólar lá fora”, comentou o diretor da Correparti, Jefferson Rugik. Tanto que o Dollar Index chegou a operar aos 100 pontos, com perdas de 0,7%.

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“No Brasil, o que também ajuda é o fluxo contínuo de investimentos”, acrescentou Rugik, lembrando que o diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos segue atrativo aos estrangeiros.

Durante a tarde, a moeda estrangeira recuperou um pouco do fôlego, com importadores aproveitando as cotações baixas para comprar.

Ainda assim, um operador ouvido pela Reuters lembrou que as notícias mais recentes, incluindo as relacionadas ao novo arcabouço fiscal, ainda a ser implementado pelo governo, foram positivas. O que faz com que o dólar não tenha motivos para subir ante o real.

BC anuncia rolagem de swap

O Banco Central (BC) informou que a partir desta sexta-feira (14) dará início a leilões diários para a rolagem de US$ 15 bilhões em swaps cambiais tradicionais que expiram no começo de junho, em um total de 299.050 contratos.

Como de costume, o BC informou que os lotes ofertados poderão ser alterados a cada dia e que as propostas acatadas podem eventualmente ser inferiores à oferta, a depender das condições de demanda, sem prejuízo do objetivo de rolagem integral do vencimento.

No swap cambial tradicional, o título paga ao comprador a variação da taxa de câmbio acrescida de uma taxa de juros. Em troca, o BC recebe a variação da taxa Selic. A operação funciona como uma injeção de dólares no mercado futuro.