Dólar acelera perdas e volta a operar abaixo de R$ 5 após dado de inflação nos EUA

Dólar acelera perdas e volta a operar abaixo de R$ 5 após dado de inflação nos EUA
Dólar acelera perdas e volta a operar abaixo de R$ 5 após dado de inflação nos EUA

Após abrir entre leves perdas e ganhos, o dólar chegou a cair cerca de 1% ante o real e a operar novamente abaixo dos R$ 5 após o dado de inflação ao consumidor (CPI) de março abaixo do esperado nos EUA. Já às 9h47 (horário de Brasília), a divisa comercial americana caía 0,62%, a R$ 4,976 na compra e na venda. Na mínima do dia, logo após a divulgação do indicador, a moeda chegou a R$ 4,946.

O índice de inflação americano  subiu 0,1% em março na comparação com fevereiro, segundo dados com ajuste sazonal e atingiu 5,0% no acumulado em 12 meses, enquanto o consenso Refinitiv apontava para alta de 0,2% em março na comparação com fevereiro. A projeção para 12 meses era de 5,2%. O dado pode influenciar as decisões sobre juros do Federal Reserve, levando a uma interrupção do aperto monetário antes do esperado pelo mercado.

O dólar tende a se beneficiar de juros mais altos nos EUA, uma vez que isso atrai recursos para o mercado de renda fixa norte-americano. Assim, o fim do ciclo de alta de juros no país estando mais próximo beneficia a moeda brasileira, favorecendo operações de carry trades em emergentes – quando traders se financiam com moedas de baixo retorno no mundo rico para comprar aquelas de mercados que oferecem rendimentos mais altos, o que acarreta a sua valorização.

Cabe destacar que, na véspera, o dólar fechou a R$ 5 e fechado no menor patamar desde junho de 2022, tanto por conta dos dados de inflação abaixo do esperado também no Brasil (levando a um maior fluxo de capitais para o Brasil, mesmo com a visão de corte de juros mais cedo por aqui) quanto pela visão recente de que o Fed pode antecipar o fim do ciclo de altas das suas taxas básicas.

Assim, mesmo se houver uma antecipação do corte de juros por aqui, operações visando ganhos com as taxas ainda altas por aqui seguem atrativas.

Cabe destacar que o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou nesta quarta-feira que a inflação no Brasil caiu, mas pressões permanecem em meio a um componente de demanda “relativamente forte”.

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Em apresentação preparada para reunião com investidores organizada pela XP em Washington, Campos Neto disse ainda que as expectativas de inflação de longo prazo estavam ancoradas em 2022, mas desde novembro passado iniciou-se um processo de deterioração.

Na parte da tarde, às 15h, será divulgada a ata da reunião de março do Fed, que pode mostrar o quão perto o banco central norte-americano chegou de adiar novos aumentos na taxa de juros após a falência de dois bancos norte-americanos.

(com Reuters)