Crusoé: “Entre governar e se tornar um mito”

Crusoé: “Entre governar e se tornar um mito”
Crusoé: “Entre governar e se tornar um mito”

Conta-se em uma das biografias de dom Pedro 2º que na sua viagem de exílio para a Europa, em 1889, quando o navio deixava a costa brasileira para cruzar o Atlântico, alguém teve a ideia de um último gesto simbólico, diz Leonardo Barreto, na Crusoé desta semana.

“Um bilhete com a palavra ‘SAUDADE’ foi escrito e amarrado ao pé de uma pomba que, após solta, retornaria ao continente. No entanto, por alguma razão, a pomba não conseguiu realizar seu voo, caindo no mar pouco adiante e morrendo afogada diante de atônitos observadores. Este trecho melancólico da história serve de vaticínio para o Brasil, o país que não conhece a figura do herói, aquele indivíduo cujo atos ecoam pelos tempos, […] servindo-lhe de referência.”

“Isso não significa que não haja no Brasil líderes com legados. Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) — que se classifica como um ‘presidente acidental’, referindo-se à forma intempestiva como foi escolhido ministro da Fazenda por Itamar Franco (1992-1994) —, alçado ao poder após o sucesso do Plano Real, dizia que viveu para desmontar o aparato estatal que Getúlio Vargas havia montado durante o período do Estado Novo (1937-1945) e que se inspirava em Campos Salles (1898-1902), responsável por um arranjo federativo que encerrou uma era de conflitos locais ameaçadores da integridade do território nacional desde o período colonial.”

“Toda essa introdução foi para chegar a Lula e à sua herança, passada e futura. Na dimensão do simbólico, ninguém chegou tão perto do panteão mitológico no qual, pode-se dizer, estão sentados o próprio Vargas — real referência do petista — e Juscelino Kubitschek, este pela maneira com que mexeu com o imaginário das pessoas.”

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