BRF (BRFS3) e Marfrig (MRFG3) desabam mais de 7%, JBS (JBSS3) cai 3%; BofA corta projeções e destaca preferência por uma ação

BRF (BRFS3) e Marfrig (MRFG3) desabam mais de 7%, JBS (JBSS3) cai 3%; BofA corta projeções e destaca preferência por uma ação
BRF (BRFS3) e Marfrig (MRFG3) desabam mais de 7%, JBS (JBSS3) cai 3%; BofA corta projeções e destaca preferência por uma ação

Em diferentes relatórios, o Bank of America destacou a sua visão sobre algumas das maiores empresas de proteína listadas na Bolsa brasileira. São elas: BRF (BRFS3), Marfrig (MRFG3) e JBS (JBSS3), que tiveram um dia de queda na Bolsa nesta quinta-feira (13), especialmente as duas primeiras. A ação da BRF fechou em queda de 7,64%, a R$ 6,29, enquanto MRFG3 teve baixa de 7,05%, a R$ 6,33, e JBSS3 registrou desvalorização de 2,93%, a R$ 16,91.

A BRF teve a recomendação reduzida de neutra para underperform (desempenho abaixo da média, equivalente á venda) pelo banco americano, com o preço-alvo sendo cortado de R$ 9 para R$ 6,30, conforme relatório com data da última quarta-feira (12).

“Vemos sinais de que a empresa terá dificuldades para navegar no ambiente volátil. A BRF enfrenta demanda doméstica fraca, excesso de oferta de frango, margens de exportação baixas e custos ainda elevados. Em nossa opinião, isso levará a resultados operacionais fracos e pode levar a uma queima de caixa de R$ 1,4 bilhão”, apontam os analistas.

Eles estimam um lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) R$ 4,7 bilhões para 2023 – 15% abaixo do consenso da Bloomberg – versus um Ebitda de equilíbrio de cerca de R$ 6 bilhões. O primeiro trimestre deve ser desafiador, avalia o banco, com Ebitda inferior a R$ 900 milhões.

“Além disso. a recuperação deve ser gradual e depende de: 1) preços mais altos do frango; 2) estabilização e/ou declínio dos custos de ração; 3) aumentos de preços internos”, aponta o BofA.

Segundo os analistas, existem alguns sinais de melhora das operações, mas ainda de forma gradual. “Há sinais de equilíbrio nos preços de aves, enquanto os custos de ração podem trazer algum alívio de margem no segundo semestre. No entanto, existe um ambiente árduo para repasse no Brasil devido ao consumo e altas taxas de juros, enquanto a concorrência deve continuar acirrada”, avalia o banco.

A equipe de análise estima que a alavancagem da companhia será de 4 vezes a relação entre dívida líquida e Ebitda até o ano de 2023. “A empresa tem algumas iniciativas em vigor, incluindo um programa de eficiência e reavaliação de ativos, mas não acreditamos que isso resultará em uma melhoria significativa do balanço”, aponta.

As ações da BRF caíram 57% em um ano, abaixo do Ibovespa em cerca de 50%, mas os analistas não acreditam que seja um movimento exagerado. O múltiplo de valor da empresa (EV) sobre Ebitda caiu de 6-7 vezes para 5,5 vezes em 2023, o que ainda não é atrativo, pois a BRF está negociando em linha com a JBS, que, na opinião dos analistas, merece um prêmio devido à diversificação de negócios e forte balanço patrimonial.

Para Marfrig, os analistas do banco americano mantiveram recomendação neutra e reduziram o preço-alvo de R$ 9 para R$ 7,60, de forma a refletir também as expectativas mais baixas para a BRF. A Marfrig tem uma fatia de 33,25% na BRF.

Porém, as projeções também estão piores para a Marfrig “independente”, dadas as margens mais baixas nos EUA e os desafios de curto prazo na América do Sul, devido às restrições para exportação de carne bovina para a China no primeiro trimestre.

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Eles destacam estarem relativamente mais otimistas com a MRFG3 do que com a BRFS3, uma vez que a operação autônoma da primeira gera fluxo de caixa, mesmo com essas adversidades.

Os analistas estimam que o Ebitda individual da Marfrig alcance R$ 5,3 bilhões em 2023, abaixo dos R$ 9 bilhões em 2022, com o ciclo negativo da carne bovina dos EUA (a projeção é de uma contração de 6 pontos percentuais na margem Ebitda [Ebitda sobre receita líquida] da América do Norte, para 5%). “No entanto, notamos que a Marfrig tem conseguido superar os players de carne bovina nos EUA por meio de sua parceria com pecuaristas e sólida execução comercial, o que reduziu a pressão da redução da disponibilidade de gado em sua operação”, avaliam.

Na América do Sul, o primeiro trimestre deve ser afetado pela proibição chinesa de um mês à carne bovina brasileira até meados de março. No entanto, o BofA espera que os preços da carne bovina subam em maio com a normalização das exportações, enquanto os preços mais baixos do gado no Brasil devem levar à recuperação da margem a partir do segundo trimestre. “Estimamos a margem Ebitda da divisão em 9% em 2023, ante 8,4% em 2022”, avalia.

Já para a JBS, como destacado acima, o BofA aponta que, apesar de um ambiente mais desafiador, mantém recomendação de compra para a ação, pois acredita que a geração de caixa da empresa é uma fresta de esperança no atual cenário. O preço-alvo, por sua vez, foi reduzido de R$ 51 para R$ 36, para refletir estimativas mais baixas e custo de capital marginalmente mais alto.

“Esperamos que a JBS enfrente um 2023 difícil, com desafios na maioria das divisões de negócios. O excesso de oferta de frango globalmente está prejudicando as margens da Pilgrim’s Pride e da Seara, enquanto o ciclo negativo do gado também deve prejudicar as margens da carne bovina nos Estados Unidos. No Brasil, as margens da carne bovina foram pressionadas no primeiro trimestre devido à proibição de exportação para a China, que foi suspensa no final de março”, aponta.

Os analistas da casa reduziram sua estimativa de Ebitda consolidado para 2023 em 27% e em 15% para 2024, para R$ 21,8 bilhões e R$ 27,2 bilhões, ficando 22% e 2,5% abaixo do consenso da Bloomberg, respectivamente.

Por outro lado, a JBS está negociando com um rendimento de fluxo de caixa livre para a empresa (FCFF) projetado de 20% em 2023 e de 25% em 2024.

“Esperamos que a empresa proteja o caixa este ano, sem dividendos extraordinários, recompra limitada e capex de expansão muito limitado”, avalia o banco.