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Apesar de cenário macro, investimentos de empresas listadas crescem em 2022; exportadoras são destaque

Mercado Financeiro 8 meses atrás
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Apesar de cenário macro, investimentos de empresas listadas crescem em 2022; exportadoras são destaque

A temporada de balanços do quarto trimestre de 2022 acabou recentemente e, para além dos acontecimentos do período, ela trouxe também sinalizações de como as companhias estão se planejando para o futuro. O dinheiro investido em bens de capital (Capex) das empresas que compõem o Ibovespa foi de R$ 80,1 bilhões entre outubro e dezembro, alta de 90,8% frente ao mesmo período de 2021 e de 133% frente ao de 2020, de acordo com compilação da Economatica, feita a pedido do InfoMoney.

No consolidado do ano, o crescimento do capex em 2022 foi de 46,1% ante 2021, chegando a R$ 276 bilhões investidos. Isso, contudo, não sinaliza que o otimismo seja unanimidade entre todos os setores. Pelo contrário, a divisão entre quem gastou para alavancar suas operações e quem preferiu a cautela foi perceptível.

Enquanto companhias exportadoras de commodities e empresas de produtos manufaturados preferiram aumentar seus gastos, criando novas plantas de produção ou investindo em tecnologia, empresas ligadas ao mercado interno, como as de consumo ou do setor imobiliário, mantiveram os seus praticamente onde estavam.

Segundo o levantamento da Economatica, os investimentos das empresas que fazem parte do IMAT, o índice de materiais básicos, somaram R$ 86,1 bilhões em 2022, contra R$ 51,3 bilhões em 2021.

O capex total do ICON, índice das empresas de consumo, saiu de R$ 79,7 bilhões em 2021 para R$ 76,9 bilhões em 2022. Essa queda ainda só não foi maior porque empresas como a Ambev (ABEV3) e os frigoríficos, que exportam muito e que fazem parte da composição do benchmark, aumentaram seus aportes.

O capex do IMOB, de empresas ligadas ao setor imobiliário, por fim, cresceu pouco na base anual, de R$ 3,1 bilhões para R$ 3,4 bilhões.

Companhias falam sobre capex

Tudo isso ficou claro nos documentos divulgados pelas empresas e durante as teleconferências de resultados.

A Suzano (SUZB3) e a Klabin ([ativo=KBLN11]) ficaram entre as empresas que, em 2022, mais tiveram seus investimentos em bens de capital crescendo na base anual – 242,8% e 113,6%, respectivamente. Em comum entre as duas, o otimismo para com o mercado em que operam no ano de 2023 e a busca pelo aumento da produção.

Executivos da primeira empresa afirmaram ver “entraves para a queda do preço da celulose no curto e médio prazo”. Já a Klabin vem expandindo sua operação de papel cartão, que vive “um excelente momento e é mais seletivo”.

Outras companhias, como a 3R Petroleum (RRRP3) e a PRIO (PRIO3), também foram bem agressivas, com os capex crescendo 381% e 184,1%.

Do outro lado, a Via (VIIA3), varejista  dona das redes Casas Bahia e do Ponto, foi uma empresa que viu seu capex recuar em 2022 frente a 2021. O número saiu de R$ 948 milhões para R$ 928 milhões. O Magazine Luiza (MGLU3) foi no mesmo sentido, cortando os investimentos de R$ 1,31 bilhão para R$ 1,04 bilhão.

Durante a teleconferência de balanços, o então diretor executivo (CEO) da Via, Roberto Fulcherberguer, mencionou que a abertura de novas lojas físicas estava por ora de lado. “Em 2023, cabe a abertura de 60 a 80 lojas. Com todo esse contexto atual, com a taxa de juros muito alta, mudamos o plano. Devemos abrir algo entre cinco a dez lojas. Mas estamos com a máquina pronta. Quando o cenário mudar, aceleraremos bem rápido”, contextualizou.

O diretor financeiro (CFO) do Magazine Luiza, Roberto Bellissimo, foi no mesmo caminho: “No capex, mantemos um conservadorismo em investimentos por enquanto, sendo estes basicamente todos em tecnologia. Mantivemos a equipe, não tivemos cortes, e estamos até crescendo. Como plataforma, temos de aportar com foco em dados e inteligência artificial”.

Exportadoras de olho em oportunidade 

Segundo especialistas, esse cenário deve continuar no curto prazo.

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“Exportadoras estão aumentando seus capex, que cresceram em relação aos últimos quatro anos. Isso está vindo no sentido de expansão, de aumento da oferta, acompanhando o preço de commodity melhor, com demanda mais forte e oferta reduzida, que tem entre suas causas, por exemplo, a pauta ESG”, diz Hugo Queiroz sócio da L4capital.

As petroleiras juniores, que aumentaram seus investimentos consideravelmente, estão de olho no recuo da oferta de petróleo no mundo, com grandes produtoras de commodities de olho na mudança de matriz energética, investindo menos na extração de petróleo. A Vale (VALE3), por sua vez, defendeu que pretende aumentar a sua produção de minério limpo, de alta qualidade, e vem cada vez mais focando no seu braço de metais básicos.

“Já no varejo, tivemos um ciclo positivo nos últimos quatro anos, em termos de crescimento de capex, com conjuntura positiva da economia doméstica e juros baixos. Isso motivou as empresas a fazerem investimentos crescentes. Nos últimos 12 meses, contudo, houve uma desaceleração”, contextualiza Queiroz.

José Eduardo Daronco, analista da Suno Research, vai na mesma linha. “A elevação da taxa de juros já tem se refletido em uma desaceleração da economia doméstica. Por consequência, as empresas têm buscado preservar o caixa, reduzindo investimentos. Inclusive, com o crédito mais caro, muitas empresas estão tendo dificuldades para fazer frente ao pagamento dos juros”, diz.

Contra a maré

A desaceleração do capex, contudo, não é unanimidade entre as empresas ligadas ao mercado interno. Algumas afirmam, inclusive, que o mau momento é uma oportunidade de ganhar mercado frente a concorrentes.

A Vivara (VIVA3), por exemplo, é uma varejista que está aproveitando o cenário atual para ganhar mercado. A companhia, focada no mercado de luxo, investiu R$ 25,3 milhões em 2019, R$ 44,7 milhões em 2022, R$ 104 milhões em 2021 e R$ 137,7 milhões em 2022.

“Em joalheria, vemos a concorrência fragilizada e com a expansão da Life estamos ganhando market share. Não vemos outra joalheria com expansão tão avançada”, disse Paulo Kruglensky, CEO da empresa, na teleconferência de resultados.

Otávio Lyra, CFO, afirmou que a mudança do patamar do preço do ouro atrapalhou a operação de players menores. Posteriormente, a crise de crédito, instalada após o caso Americanas (AMER3), e o patamar de juros acabaram por prejudicar ainda mais essas empresas.

“O mercado está mais restrito e isso pode impactar os players menores, em virtude de balanços menos saudáveis. O setor joalheria é muito saudável, as empresas têm margens equilibradas, mas houve necessidade de alavancar no passado e agora temos os juros”, comentou Lyra.

Hugo Queiroz destaca que, em momentos de crise, empresas listadas em Bolsa, e com boa posição de caixa, podem aproveitar para expandir.

“A Quero-Quero ( LJQQ3) está abrindo 50 lojas por ano, mesmo com mercado em desaceleração. Grupo Soma (SOMA3) está avançando em lojas e comprando marcas. Direcional (DIRR3), Cury (CURY3) e Plano & Plano (PLPL3) estão aumentando lançamentos imobiliários. Esse é um dos pontos que defendo quando falo de comprar bolsa durante crise”, menciona o especialista.

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