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Aperto monetário: Dura escolha do Fed

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Aperto monetário: Dura escolha do Fed
 
CSGN
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O mundo desenvolvido vem passando por um período inflacionário muito sério. Esse problema não foi criado agora, tem origens no rescaldo da crise do subprime de 2008 e 2009. Os banco centrais mundo afora praticaram uma forte política expansionista desde então. O objetivo era promover uma recuperação da crise e crescimento econômico. De um lado, tínhamos um juro muito baixo e os bancos centrais, principalmente o Fed (Banco Central Americano), comprando ativos no mercado e inflando o seu balanço. O ECB (Banco Central Europeu) também fez o mesmo, assim como os bancos centrais das demais principais economias do mundo. Nesses anos, os países desenvolvidos encararam períodos de grande déficits orçamentários, na busca de se apoiar uma recuperação mundial.

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Esse fenômeno global de afrouxamento monetário foi chamado de quantitative easing. De lá para cá, esse forte apoio monetário, juros baixos e as compras dos bancos centrais provocaram uma forte valorização de ativos. No mundo desenvolvido, o nível de alavancagem é maior que aqui no Brasil. Se os ativos em sua carteira de investimento valem mais, você também pode alavancar/endividar mais, gerando consumo e, consequente crescimento econômico. Esse é um dos motivos que o mundo viu uma escalada nos preços dos ativos, principalmente imóveis e ações.

Para piorar esse quadro, em 2020 tivemos a pandemia do COVID-19. Os bancos centrais reduziram mais juros, compraram mais ativos e os países geraram mais déficits, expandindo os seus gastos com auxílios e bolsas para apoiar a população. Poucas vezes na história vimos tamanha expansão monetária e em tão pouco tempo. A pandemia ainda trouxe alguns agravantes como desabastecimento de vários produtos devido a paralisação das cadeias de produção. A gigante asiática China, permaneceu o ano passado inteiro com restrições nas suas cadeias de produção, complicando a oferta de bens básicos e industriais até pouco tempo atrás. A gota d’água foi a guerra na Europa, iniciada no começo do ano passado. A Rússia como a Ucrânia são exportadoras de commodities e energia, a guerra provocou um grande choque no preço de energia, principalmente na Europa e no preço de commodities no mundo.

Todos esses eventos provocaram um fenômeno que o mundo desenvolvido não via há muitos anos, inflação fora do controle. A Europa como os EUA chegou a taxas de inflação de dois dígitos ao longo do ano passado e ainda permanecem muito acima das metas de inflação estabelecidas pelos bancos centrais. Tudo isso gerou uma crescente insatisfação popular e questionamentos dos governos atuais. No Reino Unido, tivemos algumas trocas de primeiro-ministro, na França a direita conservadora quase ganhou a eleição, na Alemanha o partido conservador cristão deixou a cadeira por anos ocupada e nos EUA, vimos o partido democrata ganhar uma eleição, que era praticamente perdida antes do COVID-19. 

Ao longo de 2022, os bancos centrais começaram a fazer o seu trabalho. Tivemos um intenso aumento de juros, onde os juros saíram de 0% ao ano e já estamos próximos de 5% ao ano nos EUA e de 4% na Europa. Tivemos a reversão dos balanços dos bancos centrais. O Fed começou a vender os ativos comprados para desalavancar o seu balanço e o EBC fez o mesmo. Todo esse movimento indicava que caminhávamos para uma taxa terminal de 6% ao ano nos EUA e 5% na Europa, além de uma venda de mais de U$ 2 trilhão de ativos. O foco era o combate contra a inflação e para o atingimento da meta inflacionária de 2% ao ano.

No começo de março desse ano, tudo corria bem, até que alguns bancos de menor porte nos EUA e o Credit Suisse (SIX:CSGN) na Suíça ligaram o sinal de alerta. Tivemos a quebra do Silicon Valley Bank, de outros menores nos EUA e a intervenção no Credit Suisse. O problema era as perdas da marcação à mercado dos títulos nos balanços desses bancos. Para compor os balanços, os bancos possuem títulos de tesouro americano e europeus em sua tesouraria. Os bancos americanos possuem em média 20% dos seus ativos em treasuries americanos/europeus de longo prazo. Alguns casos extremos, possuem em tesouraria mais de 50% nessa classe de ativos. Como era o caso do Silicon Valley Bank, que possuía 60% em títulos longos da dívida americana. 

O aumento de juros interfere demais quem comprou um título prefixado com uma taxa magra. Com o aumento de juros, esses bancos sofreram fortes perdas, vou tentar explicar de uma forma simples. Eles possuíam títulos que pagavam apenas 2% ao ano para o prazo de 20 anos e hoje esse título paga 4%, o título que eles compraram geraram um prejuízo de 40% em seu balanço (2% de diferença x 20 anos de prazo). Se o banco detinha 60% de seu patrimônio líquido nessa classe de ativos, eles viram acontecer uma perda de 60% x 40% de perdas, ou seja, 24% dos ativos desse banco foram pulverizados. Se justificando a corrida bancária que vimos em março.

Os bancos centrais no mundo, têm uma escolha dura pela frente, de um lado uma inflação alta e persistente, por outro lado, a segurança do sistema financeiro. A percepção geral é que a escolha está feita, teremos um arrefecimento no aperto monetário. O FEB e ECB não deverão aumentar muito mais os juros e a venda de ativos deve ser interrompida ou fortemente diminuída. Para compensar isso tudo, devemos ter os juros nos EUA a 5% ao ano e na Europa a 4% ao ano por mais tempo. O choque será mais brando e gradual, por outro lado, cortes nos juros só devem ser esperados no ano que vem e se acontecer o tão esperado arrefecimento da inflação.

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